
Mas está na altura de seguir, de começar o desafio pelo qual anseio. Tenho a pulsação a mil, sinto a pressão dentro de mim de seguir e dar o primeiro passo da subida. Existe sempre aquela grande inércia associada aos grandes momentos em que hesitamos mas a partir do momento que nos lançamos já nada nos pode parar! E é então que ele surge, decidido... reparei com agrado que o primeiro passo que dei deixou uma marca bem visível na rocha dura... Um bom prenúncio para a subida :)
Em princípio, até ao primeiro patamar, nada será demasiado complicado, a subida é pouco inclinada e a rocha é firme e saliente o suficiente para fazer uma subida sem grandes precalços. A mochila está um pouco pesada pelo peso da responsabilidade que recai sobre mim nesta subida. Mas eu aceitei esse peso sem nenhum receio... Já sinto esse peso apenas como um prolongamento de mim próprio. O vento bate alegremente na minha face, arrefecendo o calor do esforço e dando à subida uma música muito natural. Avistei já várias vezes alguns animais durante a subida... Sinto-os como uma companhia desejada nesta subida solitária em direcção ao cume. Quando o sol chegou ao seu pico máximo, parei debaixo de uma rocha que fazia saliência para o exterior, fazendo uma pala que abraçava com uma sombra revitalizadora. Sentei-me e simplesmente fiquei a contemplar. A vista é magnífica, quase todas as planícies são visíveis numa extensão que só o horizonte reconhece como real. É magnífico... E fiquei com uma grande dúvida nesse momento... Quando descer já nada vai ser igual porque eu vou sonhar ver sempre o mundo daqui. Será que vou querer descer?? Logo se vê :)
Bem mas tenho um primeiro patamar para alcançar... Parto novamente. O calor é terrível e atrasa cada um dos meus passos a um ponto quase insuportável. Mas o Homem é magnífico numa coisa... Mesmo quando o corpo não quer, a força da alma arrasta o corpo até ao seu destino! Quando achava que já não conseguia suportar mais tudo isto, reparei numa fonte que brotava da rocha. Larguei prontamente a mochila no chão, coloquei-me de joelhos e não bebi a água, simplesmente pus a cabeça e o pescoço debaixo daquele fio forte e fresco de energia revitalizadora. Tornei-me num novo eu... A partir daí percebi que tudo está feito por Ele, e que ele não abandona ninguém na sua caminhada. Enchi o cantil, coloquei a mochila às costas, o chapéu redondo e segui... Agora nada me irá fazer parar!!!!!!
Já é quase noite e avisto o patamar mesmo ali à frente... Fiz um terço do caminho :) Consegui vencer a primeira etapa. Cheguei, sentei-me tirei a mochila, abri-a e procurei no meio dos meus poucos pertences aquilo que procurava... Encontrei a tenda... Montei-a com muito carinho, sabendo que seria ela que me iria proteger do frio arrebatador da montanha. Coloquei lá dentro o meu saco de cama, um pequeno livro e acima de tudo todos aqueles que me deram a força para partir... Nunca os vou deixar ou esquecer pois foram eles que me fizeram subir! Acendi o pequeno fogão e pus o jantar a fazer enquanto o sol se ia pondo no horizonte... É uma das maiores maravilhas da natureza sem dúvida nenhuma... E o melhor é que senti a tua presença ali ao meu lado (a tua, a dele, a do outro, da outra, de todos)... Está na hora do descanço, a rua começa a ficar demasiado fria... Entrei com o petromax, li um pouco, enrolei-me no saco de cama e deixei-me partir, estava na hora de subir outra montanha... a montanha dos sonhos...
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